segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Facebook (e o resto)

Ouvi outro dia na televisão um psicólogo a dizer que o facebook a única coisa que faz é potenciar o numero de relacionamentos de primeiro grau, ou seja, os relacionamentos superficiais...

Esqueceu-se de referir que o mundo de hoje (principalmente o ocidental) é feito dos tais relacionamentos de primeiro grau. Quer sejam do facebook ou não. Que muitas vezes nem ao primeiro grau chegamos ao nem sequer olharmos para a cara de quem nos atende no café ou no supermercado, limitando a proferir os monossílabos indespensáveis (como eu fiz durante anos e anos).

O grau de envolvimento e de intimidade no meu relacionamento com os outros sou sempre eu que o determino e é redutor dizer-se algo a respeito de uma rede social quando as pessoas sai-em de casa ás 6,7, ou 8 da manhã a correr para chegarem atrasadas o menos possível e que passam o dia todo em stress, em competição e em que em muitos e muitos casos não existe espaço para se relacionarem, muito menos para desenvolverem intimidade nos relacionamentos.

Outro dos perigos que existe, segundo aquela reportagem, é a dos predadores sexuais sobretudo em relação aos jovens. Claro que isso é um perigo. Faz parte da educação aos jovens, no mundo actual, alertá-los e vigiá-los deste perigo. No facebook, como em qualquer lugar da net. E do mundo...
Com 11,12 anos ,eu jogava à bola até ás tantas com os meus amigos na rua sem ninguém me vigiar. Na terceira classe ia sozinho para o colégio de eléctrico na Av. da Boavista no Porto. Hoje não se faz isso porque nesse aspecto o mundo está mais perigoso.
Isto já para não falar da questão simples de como um jovem troca horas de futebol ou de brincadeira com outros pelo facebook; ou pela televisão, ou pelos jogos de computador, ou... não é um fenómeno particular mas sim de sociedade.
Alem disso tenho observado como -se calhar sou eu, porque tenho os melhores amigos do mundo!- as pessoas se podem tornar muito mais elas no facebook. Conheço pessoas que são extremamente tímidas e que no facebook revelam facetas que nunca descobriria pelo contacto pessoal.

Mas já me estou a esticar, fico-me pelos relacionamentos. Estranho fenómeno que de repente faz entrar pela vida das pessoas, de uma forma diferente, pessoas de quem não sabia nada há 20 anos, outras de quem nem se lembrava, outras ainda que nunca viu nem conheceu e que aceita porque se é amigo de tal e tal... E de repente os seus 10 ou 20 amigos passa para um universo de 200, 300 ou mesmo mais de 1000 amigos.

Com aqueles que não se vê há mais de 20 anos, depois da excitação inicial, segue a vida e o.k., estás aí, tudo bem!... Calculo que na maior parte dos casos aconteça como comigo e nunca se readquire o que já se teve -até porque além de impossivel não é essa a nossa opção- mas é bom e é positivo tê-los reencontrado, saber que estão bem, que até guardam boas recordações de nós. Muitas vezes até dá para encerrar de forma positiva e satisfeita o passado e dizer: "valeu a pena, está tudo bem!"

Conheço alguns casos, em particular um, de reconciliação e encontro através do facebook, que não sendo de todo a regra dão um cunho romântico a isto tudo.

Depois temos o dia a dia, um "gosto" aqui e outro ali, a satisfação do "gosto" dos outros, mesmo que sejam dos amigos que não conheço, o sentir que aquele que me dava tantos "gostos" deixou de o fazer (porque será?); hmmm, este hoje pôs isto aqui não deve estar bem", começamos inclusive a conhecer as pessoas pelo que elas publicam (ou não)!

Isto se quisermos olhar dessa forma. Posso sempre estar de pé atrás. Para mim a internet tem uma coisa que em nada a beneficia: o de não ouvirmos a voz nem vermos a pessoa o que me pode levar a fazer interpretações erradas, algumas vezes.
Isso pode dar lugar a mal entendidos, a bloqueio de amigos, mas faz tudo parte! Já bloqueei e desbloqueei amigos até que aprendi a deixar de fazê-lo ou a questionar-me primeiro se é mesmo isso que quero fazer.

É aditivo. É. E eu sou um adito. Mas também tem-me servido a mim, Pedro, a aprender a lidar de uma forma positiva e não aditiva com a Internet!

Depende tudo do ponto de vista e da opção com que escolhemos de ver as coisas. E mais uma vez, não só com o facebook mas com tudo na vida.

Qual é a minha opção, hoje, de como quero ver o Mundo?

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Embora (só por hoje) viver na solução!

(Meditação N.A., Só Por Hoje de 15 de Outubro)

"15 de Outubro - Escolhas "Não escolhemos ser adictos".
Texto Básico, p. 4

Quando éramos mais novos todos nós tínhamos sonhos. Qualquer criança já ouviu um familiar ou um vizinho perguntar, "O que é que tu queres fazer quando cresceres?" Mesmo que alguns de nós não tivessem sonhos elaborados de sucesso, a maioria de nós sonhou com um trabalho, com famílias, e com um futuro com dignidade e respeito. Mas não houve ninguém que perguntasse, "Quando cresceres queres ser um adicto?" Não escolhemos ser adictos, e não podemos escolher deixar de ser adictos. Temos a doença da adicção.Não somos responsáveis por tê-la, mas somos responsáveis pela nossa recuperação. Ao aprendermos que somos pessoas doentes e que há um caminho para recuperar, Podemos deixar de culpar as circunstâncias - ou nós próprios - e começar a viver na solução. Não escolhemos a adicção, mas podemos escolher a recuperação. Só por hoje: Eu escolho a recuperação"

(Só Por Hoje, N.A.)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dadi Janki in BBC

just a minute

Preparação do silèncio

Preparação do Silêncio (B. Kumaris)
Por BK Mohini Panjabi


(Mohini Panjabi compartilhou estas ideias num encontro, no âmbito do programa “O Apelo do Tempo”, no Uruguai, em 2001, na preparação de um dia de silêncio).


Numa vida muito ocupada, a oportunidade de desfrutar de um período alargado de silêncio, é um verdadeiro presente; é um momento em que, intencionalmente, afastamos a nossa atenção do tumulto das conversas e compromissos, das imagens e das mensagens, das listas de obrigações, e calmamente, harmonizamo-nos com o nosso espaço interior.

Para alguns de nós, no passado, o silêncio foi-nos imposto como um castigo; por exemplo, um dos nossos pais era capaz de nos repreender: ”Cala-te e vai para o teu quarto!...” O silêncio que praticamos aqui, é uma escolha. Este tipo de silêncio é uma oportunidade para descobrir, para encontrar coisas novas e diferentes. A ausência da fala, quando decidimos não falar, é uma coisa diferente.

O silêncio, não é a falta de comunicação; há uma linguagem subtil que nos conecta com os outros, através dos olhos, de um sorriso ou de um gesto. Nesta linguagem subtil, existe uma “fluência” que apela para a nossa capacidade de observar os pequenos detalhes da vida. À medida que desenvolvemos a nossa capacidade de entender esta linguagem subtil, apercebemo-nos que vamos ficando menos dependentes de dispositivos mecânicos, que tanto nos podem aproximar, como fazer-nos sentir mais afastados dos outros.

Ao deslocarmo-nos para um espaço interior de silêncio, estamos a harmonizar-nos com o espírito da natureza e a abandonar a tendência para a opinião crítica.

O silêncio dá-me a oportunidade de identificar, dentro de mim, as qualidades que têm a capacidade para me transformar. No silêncio, consigo ligar-me à qualidade mais alta, do meu pensamento mais límpido e claro.

As acções emergem das sementes do pensamento; as acções são o fruto dessas sementes. Em que tipo de solo eu decido plantar as sementes dos meus pensamentos?... De violência ou de paz? De raiva ou de amor? Estas escolhas são, já por si, transformadoras.

O tipo de consciência que eu consigo alcançar com o silêncio, tem a ver, directamente, com a qualidade do meu entendimento. O entendimento no “mundo do som”, é um processo cognitivo, enquanto que “no silêncio”, é mais subtil e resulta em realizações que emergem de dentro de nós. São tipos de experiências bem diferentes.

No silêncio, eu descubro as minhas qualidades inatas, aquelas que são intrínsecas a quem eu sou. Aqui, no silêncio, eu toco o meu ser eterno e começo a confiar nesta essência mais profunda.
A experiência do reconhecimento das minhas qualidades únicas e intrínsecas, aumenta a minha capacidade de receber. Em silêncio, alcanço o meu poder interno e experimento confiança, fé, segurança, beleza e merecimento. É a partir da base desta dimensão interna, que as minhas acções evoluem.

No silêncio, eu posso ouvir o chamado de Deus, o chamado da natureza, o chamado daqueles que se encontram necessitados.

O silêncio é um espaço interior de aprendizagem. Quando há alguma coisa que eu não entendo, continuo a insistir até que o esclarecimento venha; então, posso libertar-me disso e sigo em frente.

No silêncio, eu descubro a verdade ao tocar o “eu” verdadeiro. O silêncio faz aumentar a minha capacidade de manter a verdade dentro de mim.

O silêncio é a oportunidade, para descansar no colo da minha própria grandeza. Lembre-se de cuidar de si próprio com a atenção especial, que daria a qualquer grande alma.

O silêncio é a disciplina não do “fazer, mas do “ser”.

Use estes pensamentos acerca do silêncio, como uma bandeja de acepipes, escolhendo o que mais desejar, de modo a auxiliá-lo na sua caminhada em direcção ao seu espaço interno de silêncio.

domingo, 3 de outubro de 2010

Quanta vida tem uma vida? Aliás, quantas vidas tem uma vida?

O sociólogo francês Pierre Bourdieu escreveu um dia um artigo intitulado A Ilusão Biográfica, onde defendia que uma “história de vida” é sempre uma ilusão e um artifício, criado a partir de um paradigma emergente da implantação da “literatura moderna”. Acreditava Bourdieu, que esta ilusão advêm de se acreditar que por se ter sempre o mesmo nome (e número de bilhete de identidade), somos sempre a mesma pessoa, e que a nossa vida decorre numa linearidade cronológica, com principio, meio e fim, tal como num romance ou numa peça de teatro.

Contar uma “história de vida” é falar de muitas vidas, mas que afinal são sempre a mesma…sem o ser. E olhar para o passado, com os olhos do presente, provoca irremediavelmente uma nova leitura, um novo “passado” e uma nova “história”.

O grande Orson Wells, no seu filme Citizen Kane levou esta noção ao extremo e criou uma obra de arte maravilhosa sobre as várias “histórias de vida” de um cidadão que acaba de falecer, vistas pelo olhar dos que viveram e conviveram com ele. A(s) vida(s) deste ser humano revela-se um caleidoscópio, reflectido num jogo de espelhos, fragmentados, mas ao mesmo tempo unidos no caos ordenado que é a percepção (ou ilusão) do que é uma vida e do que é ser uma “pessoa”.

O meu querido amigo Pedro Múrias, companheiro desta viagem que é a vida ( mesmo que não saibamos que rumo leva ), revela-se, desvela-se e desnuda-se, nesta história, que é a “sua” história, mas que ao mesmo tempo é a história de todos os Pedros que passaram e continuam a passar, por ele, e a ser ele.

São histórias de um Pedro grande e viajado (por si mesmo), que retoma percursos, e que vai visitar (e dar a mão emocionada) aos Pedros que conheceu e aprendeu.

É uma história de vida, de morte e renascimento, de sofrimento atroz, e de procura da luz e do amor. É a história de vida de alguém que toca a minha vida (e a transforma e colora).

É a história de vida que muda vidas, porque o amor e a esperança são o sol do renascimento.



Álvaro Alexandre Ferreira

http://www.bubok.pt/libro/detalles/2138/Esta-tudo-bem
 
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sábado, 2 de outubro de 2010

pag. 3 "Está tudo bem!"

(“Tenho saudades que me digas: está tudo bem!”)

Este projecto existe há anos na minha cabeça. Apenas uma vez tentei pô-lo em prática. Ainda não tinha chegado a hora. Desta vez sei que ele vai chegar ao fim, sinto-o.
O meu objectivo é apenas dar o meu testemunho. Um testemunho de dor, mas também de felicidade. De chegar à conclusão que tudo está bem, que afinal mereceu a pena tudo que aconteceu.

Sempre gostei muito de escrever e ela foi durante muito tempo o meu refúgio. Agora o meu objectivo é que ela se transforme no contrário, no meu momento com os outros.
Não escrevi por nenhuma questão terapêutica, esse trabalho foi feito no sítio certo com as pessoas certas; não escrevi porque quero culpar alguém, a responsabilidade de tudo o que aconteceu só a mim pode ser atribuída; escrevi e escrevo porque gosto e pela simples partilha.

Uma série de coincidências levou-me a este impulso final de escrever este livro.
Não seria possível se hoje não estivesse como estou, não tivesse o suporte que tenho, familiar e social.

Á minha mulher em particular e a todas as pessoas que para mim são uns anjos e que passaram pela minha vida ou que estão na minha vida dedico este livro. Todos contribuíram para que hoje possa dizer: está tudo bem!

E é um bocado isso que também é este livro, dizer a esta criança que vai agora nascer, em 31 de Julho de 1963, “ descansa agora, está tudo bem! “

Bem Hajam!

Pedro Múrias
Agosto 2010
http://www.bubok.pt/libro/detalles/2138/Esta-tudo-bem