Quanta vida tem uma vida? Aliás, quantas vidas tem uma vida?
O sociólogo francês Pierre Bourdieu escreveu um dia um artigo intitulado A Ilusão Biográfica, onde defendia que uma “história de vida” é sempre uma ilusão e um artifício, criado a partir de um paradigma emergente da implantação da “literatura moderna”. Acreditava Bourdieu, que esta ilusão advêm de se acreditar que por se ter sempre o mesmo nome (e número de bilhete de identidade), somos sempre a mesma pessoa, e que a nossa vida decorre numa linearidade cronológica, com principio, meio e fim, tal como num romance ou numa peça de teatro.
Contar uma “história de vida” é falar de muitas vidas, mas que afinal são sempre a mesma…sem o ser. E olhar para o passado, com os olhos do presente, provoca irremediavelmente uma nova leitura, um novo “passado” e uma nova “história”.
O grande Orson Wells, no seu filme Citizen Kane levou esta noção ao extremo e criou uma obra de arte maravilhosa sobre as várias “histórias de vida” de um cidadão que acaba de falecer, vistas pelo olhar dos que viveram e conviveram com ele. A(s) vida(s) deste ser humano revela-se um caleidoscópio, reflectido num jogo de espelhos, fragmentados, mas ao mesmo tempo unidos no caos ordenado que é a percepção (ou ilusão) do que é uma vida e do que é ser uma “pessoa”.
O meu querido amigo Pedro Múrias, companheiro desta viagem que é a vida ( mesmo que não saibamos que rumo leva ), revela-se, desvela-se e desnuda-se, nesta história, que é a “sua” história, mas que ao mesmo tempo é a história de todos os Pedros que passaram e continuam a passar, por ele, e a ser ele.
São histórias de um Pedro grande e viajado (por si mesmo), que retoma percursos, e que vai visitar (e dar a mão emocionada) aos Pedros que conheceu e aprendeu.
É uma história de vida, de morte e renascimento, de sofrimento atroz, e de procura da luz e do amor. É a história de vida de alguém que toca a minha vida (e a transforma e colora).
É a história de vida que muda vidas, porque o amor e a esperança são o sol do renascimento.
Álvaro Alexandre Ferreira
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
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