Nunca gostei de conflitos. Se calhar ninguém gosta de conflitos neste mundo cheio deles e de pessoas que se alimentam deles.
Recordo-me sempre com 9 anos em frente à praia do Bispo em Angola, no meu quarto à janela fazendo promessas que me portava bem se as minhas irmãs, na altura adolescentes, chegassem a horas e assim se evitasse o conflito com os meus pais. Lembro-me do rádio que tínhamos e que um dos meus pais, já não me lembro qual, o espatifar no chão numa discussão com elas, daqueles bonitos rádios antigos. Bonitos e bons porque durante muito tempo, até virmos para Lisboa, ele continuou a funcionar. Lembro-me do silêncio tão desagradável da manhã seguinte.
Paradoxalmente a minha vida sempre foi um conflito interior. A minha falhada táctica de sobre vivência que durou durante décadas foi de me anular, de me calar, de tentar passar despercebido.
Fugir não resolve o problema antes perpétua e aumenta o medo e o ressentimento. Por vezes ao fim de um certo tempo explodia em noites que não me apetece agora recordar de álcool e asneiras para recomeçar na manhã seguinte cheio de vergonha e com mais medo. Dia após dia, ano após ano.
Na verdade, como diz John Powel, como te posso mostrar quem sou se é a única coisa que tenho, se tu não gostares com o que fico para te oferecer? Esse medo levou-me a nem sequer eu conhecer o Pedro!
É muito bom que que agora as coisas vão sendo diferentes. Muita coisa persiste ( por isso digo vão sendo diferentes e não: estão totalmente diferentes) , mas é bom o que vai acontecendo. Por exemplo, nos últimos tempos tenho dado a minha opinião , por vezes duma forma mais brusca; tenho-me mostrado, pelo menos, muito mais verdadeiro. E isso não me trás logo conforto. Por vezes expludo, outras consigo dizer as coisas assertivamente, mas o conflito é realmente uma coisa de que não gosto. Chateia-me, traz-me medo, montes de sentimentos desagradáveis. Eu sei que dar a opinião não é sinónimo de conflito, ok, mas ainda me sinto logo julgado, como se de uma acusação silenciosa se tratasse o teu silêncio.
Isso é outra coisa de que não gosto, da acusação silenciosa que nem sequer sei se é só da minha cabeça ou é verdade porque ... é silenciosa!
É muito giro e tão gratificante estar a aprender agora a sentir o silêncio de outra forma, como um lugar onde posso parar a minha mente e ficar calmamente comigo, em paz! Até há pouco tempo significava exactamente o contrário, um espaço de ressentimentos e de inquietude. Mesmo quando dei os primeiros passos ténues de uma nova maneira de estar, assustava-me estar em sossego comigo. Lembro-me de durante anos me refugiar no meu quarto e num mundo fantasiado onde eu normalmente passava para o papel principal e o quanto isso me aliviava. Depois o encontro com a vida, quando saia do quarto era algo perfeitamente insuportável e a de que rapidamente fugia para o álcool ou outra coisa qualquer que não me fizesse sentir.
Por isso, descobrir agora sóbrio, a meditação, a musica e o silêncio duma forma tão diferente é algo fascinante que me vai fazendo ultrapassar o medo de que não gostes de mim. Apesar de tudo ainda cá estás mesmo com a minha opinião contrária e mesmo com as nossas discussões!
Que cada vez mais consigamos viver em Paz e Amor eliminando ( ou pelo menos ultrapassando ) a necessidade de termos conflitos.
Om Shanti
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
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