sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O Homem e o nosso planeta necessitam de água para a sua sobrevivência. Durante séculos foi a Natureza que dominou o Homem. A partir da Revolução Industrial a produção humana aumenta o que faz com que o Homem comece cada vez mais a ter influência na natureza. Contudo é a partir do fim da 2ª Guerra Mundial com a melhoria das condições de vida, que a população mundial aumenta duma forma nunca vista ao mesmo tempo que a produção e o consumo. Isso faz com que comecem os problemas ambientais provocados pelo Homem.
Se olharmos para os desastres ecológicos relacionados com a água nos últimos anos: o Tsunami de 2004; as inundações na África e na Europa; as grandes secas em África e mesmo em Portugal e Espanha, constatamos com facilidade que algo de grave se passa. O problema é que a responsabilidade é principalmente do Homem. (A Água, uma responsabilidade partilhada, 2006: prefácio).
Assim, 30 % da população dos países em vias de desenvolvimento não têm água potável (Giddens, 2008: p.617). Se pensarmos no facto do maior crescimento demográfico se verificar nas zonas onde isso acontece, constatamos a gravidade de uma parte muito significativa da população não ter acesso a água potável, e esse número, se nada se fizer, pode aumentar. Com a escassez da água surge um novo problema: vários rios são partilhados por dois países o que pode levar a problemas como cortes ou retenção da água se não houver boa vontade, diálogo e aplicação de medidas conjuntas. A construção de barragens terá que ter isso em conta, por exemplo.
O Homem descarrega há muito tempo lixo industrial nos rios sem ter consciência disso. A consciência ambiental só se começou a adquirir há poucas décadas. Surge então o aumento da poluição dos rios e das águas. Em muitas partes do Mundo morre-se de doenças provocadas por uma água poluída e isso poderia ser evitado se existisse um tratamento apropriado dessas águas. Por outro lado o aumento da temperatura global faz com que a costa diminua e isso pode levar à salinização da Água potável alem dos outros problemas inerentes à diminuição da costa terrestre. Temos assim uma água já raramente existente e além disso poluída.
A consciência criada nas últimas décadas levou a que o processo na Europa se tenha estabilizado. A partir do relatório “O Nosso Futuro Comum” da CMAD, 1987 (citado por CAEIRO, Sandra; CARVALHO, Teresa Nobre, 2001, pág.106) começou-se a ouvir falar em desenvolvimento sustentável, crescer satisfazendo as necessidades do presente sem comprometer as necessidades do futuro. Contudo se isto é uma realidade na Europa, não o é nos países em vias de desenvolvimento onde parte desse desenvolvimento é responsável pela degradação do ambiente e da Água e os custos das mudanças de políticas terão de ser também suportados pelos países mais ricos, se assim não for feito nunca se poderá travar essa degradação. Vivemos numa era global em que estamos cada vez mais interligados e é necessário olhar para o problema duma forma conjunta. Ora isso é difícil com as dificuldades impostas ou mesmo pela recusa dos maiores produtores, com os EUA à cabeça, em assinar os acordos.
Em 2000 surge da Cimeira do Milénio das Nações Unidas, assinado pelos 189 membros, os “Objectivos de Desenvolvimento do Milénio” em que se toma um compromisso a atingir em 15 anos. No ponto 7, podemos ler que “(…) Reduzir para metade a percentagem da população sem acesso permanente à agua potável(…)” , Apesar das intenções a implementação de medidas concretas e o seu resultado tarda. O futuro não se prevê melhor. Com o aumento da temperatura provocada pelo efeito de estufa (demonstrando assim que todos os problemas da natureza: água, terra, ar, estão interligados), começa a surgir a fusão das calotes polares. Espécies como a Tartaruga, o Pinguim ou o Urso Polar, estão em perigo de extinção devido aos problemas relacionados com as alterações da água. Os ecossistemas estão ameaçados e a biodiversidade reduzida.
No relatório da Implementação da Directiva Quadro da Água¹ (directiva que saiu do Parlamento Europeu e do Conselho em 23 Outubro 2000), Portugal aparece bem cotado nas medidas de implementação. Também no V Fórum Mundial da Água² realizado em Istambul em Março de 2009, foi destacado em Portugal o modelo institucional de gestão do sector da água, e fez-se referência ao IRAR, instituto regulador de águas e resíduos assim como a mais 4 outros projectos. Conclui-se que apesar de alguns passos positivos muito ainda há a fazer. Juliet Christian-Smith afirma (entrevista a CAETANO Emília 2008, p:22), que, mesmo com os avanços do I.N.A., no que respeita à gestão e no que toca à participação pública, pouco ou nada se evoluiu e a política fechada deste Instituto não tem ajudado a que a participação pública possa existir.
A falta de Água e as suas implicações, assim como as suas causas, surgem como um dos maiores problemas contemporâneos que englobado nos restantes problemas ambientais, constitui provavelmente o maior desafio do Século. É necessário que as pessoas se consciencializem cada vez em maior número deste flagelo ambiental. Apesar da importância das leis e do controle das situações, aquilo que realmente poderá fazer com que as coisas se modifiquem duma forma definitiva será uma nova consciência ganha através da prevenção, educação e participação.
Bibliografia:
CAEIRO, Sandra; CARVALHO, Teresa Nobre de (2001) Grandes Problemas ambientais, in CARMO, Hermano (coord.) Problemas Sociais Contemporâneos. Lisboa: Universidade Aberta, pp.79-116.
GIDDENS, (2008), Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian
COMISSÃO INDEPENDENTE PARA A QUALIDADE DE VIDA (1998) Cuidar o futuro. Um programa radical para viver melhor. Lisboa: Trinova Editora
A ÁGUA, UMA RESPONSABILIDADE PARTILHADA (2007) Unesco,
CAETANO, Emília (2008) Entrevista Visão de Juliet Christian-Smith, 27 Novembro, p.22 Visão
OBJECTIVOS DO MILÉNIO (2000) Cimeira do milénio
WILKIPÉDIA http://pt.wikipedia.org. (2009) Consultas de 28 e 29 Março
¹ http://dqa.ing.pt/
²http://www.adp.pt/content/index.php?action=detailfo&rec=2399&t=Exemplos-portugueses-em-destaque-no-Forum-Mundial-da-Agua

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